Agentes da Geodinamica Externa do Relevo
I. AGENTES EXTERNOS DA FORMAÇÃO DO RELEVO
Agentes externos do relevo: são aqueles que actuam na parte externa da terra, modificando as formas
de relevo criadas pelos agentes internos.
Os
principais agentes externos modeladores do relevo terrestre são:a radiação
solar, o vento, a chuva, os rios, os mares, o Homem e os seres vivos. Acção desses
agentes manifesta-se em forma de meteorização e erosão.
1.1. Meteorização – conceito
Meteorização: é o processo que consiste na desintegração e decomposição das rochas
na superfície da Terra, pela acção dos agentes atmosféricos e biológicos. Ela
compreende três tipos, a saber:
a) Meteorização física:é o processo de desagregação das rochas sem alteração da composição
mineralógica das mesmas. Ela compreende os seguintes processos:
Ø Termoclastia (termo꞊calor clastia ꞊partir): é o fenómeno que consiste na dilatação e
contracção das rochas e consequentemente sua fragmentação, devido as oscilações
térmicas durante dia. Este processo é mais comum nas regiões desérticas, onde
as amplitudes térmicas são elevadas.
Ø Crioclastia (crio꞊gelo, clastia꞊partir): é o processo que resulta da alternância de
congelação e fusão da água que penetra nos interstícios das rochas. É um
processo característico nas regiões periglaciáres.
Ø Haloclastia: é o processode desagregação das rochas, resultante da cristalização e
estufamento de sais instalados nos poros das rochas. É um processo mais comum
nas zonas desérticas e litorâneas.
b) Meteorização biológica: é o processo responsável pela desintegração e alteração da composição
química das rochas em resultado do crescimento das raizes das plantas e
consequente aumento da permeabilidade do solo, conduzindo assim a retida de
nutrientes; da prática das actividades humanas, sobretudo a agricultura e a
pecuária; e dos animais escavadores, por exemplo: os vermes ingerem a terra a
qual é alterada nos seus arganismos, as formigas escavam galerias no solo
aumentando a infiltração da água no solo.
c) Meteorização química: é o processo de transformação dos minerais das rochas em novos
produtos químicos, devido as reacções químicas dissolução, hidratação,
hidrólise e oxidação), ocorridas entre as rochas e os elementos da atmosfera. A
acção é tanto mais intensa e facilitada quanto maior for o estado de
desagregação física das rochas. Este tipo de meteorização é mais frequente em
regiões quentes e húmidas.
A
meteorização depende dos seguintes factores: natureza da rocha exposta e tipo
de clima e do relevo
De
um modo geral, a meteorização física é activa nas regiões desérticas e polares
e a meteorização química é mais intensa nas regiões tropicais e temperadas.
2.2. Deslocamento de terras
por acção da gravidade
As
rochas bem como os sedimentos existentes nas superficies inclinadas
(vertentes), estão sujeitos aos movimentos gravitacionais. Tais movimentos
podem ser: lentos ou rápidos.
2.2.1. Movimentos lentos
Movimentos lentos: são movimentos do solo e impercentíveis, que ocorrem ao longo das
vertentes. Eles subdividem-se em:
a) Raptação ou creep: é o movimento muito lento e geralmente contínuo, das partículas numa
vertente. Este movimento têm as seguintes consequências: inclinação de árvores,
de muros e dos postes eléctricos e telefónicos, abertura de fendas nas estradas
e rachas em muros e edifícios.
b) Solifluxão: é o movimento lento econtínuo de massa de solo ou de detritos rochosos
ao longo das vertentes saturadas de água. Este movimento é característico das
regiões polares e de elevadas altitudes (regiões montanhosas).
2.2.2. Movimentos rápidos
Movimentos rápidos: são movimentos do solo ou dos blocos de rochas muito rápidos que
ocorrem ao longo das vertentes. Eles subdividem-se em:
a) Deslizamento: é o movimento do solo ou das rochas que ocorrem nas encostas abaixo ou
plano de ruptura. Este movimento deve-se a erosão, abalos sísmicos,
desflorestamento e excesso de água e neve ao longo das vertentes.
b) Desabamento ou
desmoronamento: é o deslocamento muito rápido de
blocos rochosos ou de terra ao longo das vertentes abruptas, por acção de
gravidade após a meteorização e erosão. Este movimento é mais frequente nas
arribas litorais
c) Fluxo de lama ou de terra: é o movimento de uma massa fluída composta por materiais finos (argila
e areia) ou materiais grosseiros (fragmentos de rochas e as rochas) e água
através de uma vertente ou de um canal. Trata-se de um movimento mais comum nas
regiões áridas e com relevo mais acidentado.
3. Acção do mar
O
traçado do litoral resulta de três factores, a saber: movimentos tectónicos da
crusta terrestre, oscilações do nível do mar durante os glaciares e da erosão
marinha.
A
erosão marinha, refere-se a erosão resultante dos movimentos da água do mar,
sobretudo as ondas. Este fenómeno manifesta-se mediante três processos, que
são:
a) Abrasão: é o processo que consiste no
arracamento das rochas em resultado da acção das ondas.
b) Transporte: é o deslocamento de detritos de várias dimensões, pela acção das ondas
e correntes litorais.
c) Deposição: consiste na acumulação de materiais ao longo da praia ou no fundo do
mar, em resultado da diminuição da agitação da água. Normalmente, as partículas
de maior dimensão são as primeiras a ficarem em repouso e em seguida as
partículas muito finas.
As
principais formas de relevo resultante da erosão marinha são:
Dunas: relevo totalmente constituido por areia acumulada pela acção do vento.
Restinga: cordão de areias que se forma em áreas de baixa profundidade,
resultante da acumulação de sedimentos.
Praia: é o conjunto de sedimentos depositados ao longo do litoral, que se
encontra em constante movimento (areias, calhaus e cascalhos).
Falésia: é um ressalto não coberto pela vegetação, com declividade muito
acentuada e de altura variada, localizado na linha de contacto entre a terra e
o mar.
Ilha barreira: deposito arenoso paralelo à linha da costa, rodeado por água por todos
os lados.
Tômbolo: cordão arenoso que liga o continente a uma ilha, decorrente da
acumulação de sedimentos transportados por duas correntes marítimas de
direcções opostas.
3.1. Tipos de costas e suas características
Conforme
o critério genético e morfologico distinguem-se os seguintes tipos de costas:
Costas de arribas: são costas caracterizadas por vertentes mais ou menos rectilíneas e
muito íngremes, que resultam do ataque do mar na sua base. Elas são
constituidas por rochas de grande dureza, como: granitos, xistos e calcários.
Costas de praias: são costas muito baixas e arenosas, resultantes de milhões de anos de
desgaste de uma antiga costa de arriba, bem como resultante da deposição de
sedimentos transpostados pelas correntes marítimas, oriundos de lugares mais ou
menos distantes. Elas apresentam um substrato rochoso brando (pouco duro),
como: as areias, as argilas e os siltitos.
Outros
tipos de costas: costas vulcânicas, de falha, de planícies e neutras.
4. Alteração do relevo nas
diferentes regiões bioclimáticas
Conforme
as características climáticas, a superfície terrestre é sujeita a alterações
diferenciadas, que culminam na constituição de formas de relevo únicas. Assim
vejamos:
4.1. Regiões intertropicais
As
regiões intertropicais ocupam 52% da superficie do globo e apresentam três
domínios morfoclimáticos, a saber: domínio
equatorial, domínio tropical e domínio árido.
4.1.1. Domínio equatorial
Na
região de clima equatorial, em resultado das suas características climáticas
(temperatura e precipitação elevada), e da existência de uma cobertura vegetal
densa, predominam as alterações físico-químicas e bioquímicas, favorecendo
deste modo, o processo erosivo. Assim, nesta região predominam as seguintes
formas de relevo: planícies, colinas
de formas arredondadas e pães-de-açucar
(domos rochosos resultantes de intrusões graníticas expostas, que têm vertentes
abruptas e cimo mais ou menos arredondados). Exemplo: pão de açucar no rio de
Janeiro. Encontram-se também formas de relevo resultantes da erosão fluvial e
pluvial (assunto a ser discutido mais
adiante)
Dentre
os processos morfogenéticos também se destacam os movimentos de massa,
principalmente os deslizamentos e os fluxos de lamas ao longo das vertentes.
4.1.2. Domínio tropical
A
existência de uma estação húmida e outra seca e da floresta tropical aberta e
savanas, permite a ocorrência da meteorização mecânica e bioquímica e
consequente formação de couraças ferralíticas (resultante da migração vertical
dos óxidos de ferro e alumínio com a alteração da estação húmida à seca), as
quais dificultam o desenvolvimento das culturas e da vegetação.
A queda
das chuvas contribui para ocorrência da erosão pluvial. A erosão pluvial pode
ser: erosão laminar – consiste no
transporte de partículas rochosas sem a formação de canais definidos, sendo
mais comum nas regiões mais planas e com a cobertura vegetal e a erosão em sulcos: consiste no
deslocamento de grandes quantidades de partículas rochosas ao longo das
vertentes, e como consequência a formação de ravinas (cavidade estreita e profunda, aberta pelas águas que
correm numa vertente).
Além
de ravinas, destacam-se as seguintes
formas de relevo: os planaltos
encouraçados, escarpas (declive
deixado pela erosão, separando dois níveis de altura nos limites dos planaltos)
e as pediplanícies (áreas planas
formadas no sopé das elevações).
4.1.3. Domínio árido
As
características climáticas e a raridade da vegetação nas regiões desérticas permitem
o predomínio da meteorização física, sobretudo a termoclastia e haloclastia,
sendo assim bastante lentas as alterações químicas e biológicas.
Outro
agente erosivo com uma importância inegável nas regiões desérticas é o vento, o
qual é responsável pela erosão eólica, que se manifesta mediante três
processos, a saber:
a) Deflação: é o processo que consiste na remoção de materiais mais finos da superfície
devido a acção do vento.
b) Transporte: consiste no deslocamento de materiais para locais favoráveis. Este
ocorre em duas maneiras, que são: suspensão
– consiste na deslocação a grande altura e quilómetros de distâncias de
partículas bastante finas (argila e siltes), em saltação – processo que consiste no deslocamento das areias ao
longo de uma superfície inclinada, devido a acção da energia eólica e da força
de gravidade e em reptação –
consiste no deslocamento lento de areia mais grossa, devido a sucessivos
embates resultantes da queda dos outros mais ligeiros.
c) Acumulação: é a deposição de materiais em locais favoráveis, em resultado da
diminuição da velocidade ou intensidade do vento ou do encontro de um bloco
rochoso.
Entre
as formas de relevo resultante da erosão eólica, destacam-se: dunas (relevos totalmente constituidos
por areia), ergs (desertos arenosos,
constituidos por dunas, que foi formado pela acção do vento), regs (desertos rochosos compostos por
blocos angulosos, que o vento deixou a descoberto), yardangs (cristas rochosas paralelas de acordo com a direcção dos
ventos), blocos pedunculados (rochas em forma de cogumelo, construidas por
corrosão), os ventifactos (blocos rochosos, de forma curva ou quase aplanada,
que se apresentam no topo de elevação) e hamadas (planaltos de rocha nua e
apenas cobertos de calhaus que o vento não consegue desalojar).
4.2. Regiões temperadas
As
regiões temperadas ocupam 20% da superficie do globo e em geral, nas regiões de
clima temperado mediterrâneo ocorrem processos morfogenéticos idênticos as de
clima desértico quente, nas regiões de clima temperado continental predominam
processos morfogenéticos tipicos dos ambientes mais frios e finalmente, nas regiões
de clima temperado marítimo, são notáveis processos morfogenéticos semelhantes
as de clima equatorial.
Nas
regiões temperadas, os rios apresentam o maior poder erosivo que qualquer outro
agente externo – erosão fluvial. Este fenómeno pode ser lateral: quando o desgaste é realizado nas margens provocando o
alargamento dos vales e vertical: quando a erosão actua de forma vertical ao
leito.
A
erosão fluvial compreende três processos, a saber:
a) Remoção: consiste no arranque de sedimentos ou fragmentos de rochas pelas águas
correntes.
b) Transporte: é a movimentação de sedimentos pela acção das correntes de água. O
transporte pode ocorrer em forma de suspensão
(movimento de partículas mais finas, como siltes e argilas pelos movimentos
turbilionares da corrente), solução
(é a dissolução de substâncias existentes nas rochas pela água do rio) e por tracção (deslocamento de areia por
saltos, ao longo de uma superfície mais ou menos inclinada) e rolamento (movimento obrigatório de
materiais grosseiros, como calhaus e cascalhos por turbilhões mais fortes).
c) Acumulação: é a deposição de sedimentos no fundo do leito, em resultado da
diminuição da velocidade da água, podendo ocorrer em forma de precipitação - para materiais em
saltação e suspensão e saturação –
para materiais em solução.
As
principais formas de relevo resultante da erosão fluvial são: marmitas gigantes (depressões
circulares originadas pelos movimentos turbilhares sobre as rochas no fundo
do leito), planícies aluviais (são
extensas áreas aplanadas, constituídas por sedimentos fluviais) e deltas (formação que ocorre nas
proximidades da foz do rio, resultante de deposito de sedimentos) e diques marginais (saliências alongadas
compostas de sedimentos bordejados nos canais fluviais).
4.3. Regiões frias
As
regiões frias ocupam 28% da superficie do globo e apresentam temperaturas muito
baixas e precipitações escassas,Domínio
glaciar
em
forma de neve. Nelas predomina a meteorização mecânica, devido a alternância de
gelo e degelo. Os fragmentos resultantes desta meteorização sofrem abrasão,
transporte e acumulação em consequência da acção do vento, dos glaciares e
águas superficiais, originando as seguintes formas de relevo:
Moreias: depósitos de sedimentos arrancados e transportados pelos glaciares;
blocos erráticos: grandes blocos rochosos com uma litologia diferente das
rochas subjacentes; kame: são depósitos de areia e cascalho com uma forma
cónica e os fiórdes: são antigos vales glaciares que foram invadidos pelo mar,
devido a uma transgressão marinha.
5. CICLO GEOLÓGICO
Ciclo geológico: é a sucessão de fenómenos geológicos, sistematicamente reproduzidos
pela mesma ordem em períodos regulares na crosta terrestre. Ele compreende três
fases essenciais, a saber:
Orogénese: é o processo de construção das grandes cadeias montanhosas, formações
planálticas e estruturas falhadas, em resultando da acção dos agentes internos,
sobretudo movimentos tectónicos que afectam zonas móveis e estreitas da crusta
terrestre.
Gliptogénese: é o processo que consiste na meteorização das rochas e consequente e
erosão devido a intensa acção dos agentes externos (radiação solar, humidade,
chuvas, vento águas correntes, mar e seres vivos).
Litogénese: é o conjunto de processos de natureza biológica, química e física,
responsáveis pela consolidação das rochas sedimentares. Nestes processos
intervêm muitos processos, como: as trocas iónicas e de oxirredução.
6. Importância do relevo
Ø Permite a implantação das infra-estruturas socioeconómicas, como: vias
de comunicação (estrada e linha-férreas), escolas, hospitais e habitação;
Ø Nele se desenvolve várias actividades socioeconómicas, como: a
agricultura e a pecuária;
Ø Permite a extracção de recursos minerais e rochas, para uso directo ou alimentar
as indústrias;
Ø Influência o clima de uma determinada região;
Ø Formações de relevo, como: praias, planaltos e montanhas, constituem fontes
de lazer e de turismo.
7. PEDOGEOGRAFIA
6.1. Conceitos
Pedogeografia: é o ramo do conhecimento da ciência físico-geográfica que estuda as
leis da distribuição do solo na superfície da terra para regionalizá-los.
Pedologia (pedon = solo e logia = ciência): é a ciência que estuda o solo, suas particularidades, a formação, a distribuição
geográfica e métodos de utilização. Esta ciência surge a partir dos estudos do
pesquisador russo Vasilí V. Dokuchaev, que culmina com o lançamento, em 1883,
do livro Chernozem (do russo Tcherno = negro e zem = solo).
Solo: é um corpo natural de constituintes minerais e orgânicos
inconsolidados, diferenciados em horizontes, formando uma superfície
inconsolidada que recobre as rochas e mantêm a vida vegetal e animal na terra.
6.2. Composição do solo
O
solo apresenta uma composição variável, contudo os seus elementos enquadram-se
nas três fases da matéria, a saber:
Fase sólida: parte mineral, composta por fragmentos de rochas e minerais, como:
quartzo, micas e feldspatos, numa proporção de 45% e uma parte orgânica,
normalmente composta por húmus, na ordem de 5%.
Fase líquida: 25% de água.
Fase gasosa: 25% de ar.
6.3. Textura e estrutura do
solo
Textura:
é a proporção em que se encontram as partículas de diferentes dimensões
que constituem o solo. Ela depende da rocha-mãe que esteve na sua origem, da
topografia, do clima e do grau de evolução do solo. Assim, é
comum distinguir-se no solo três fracções, como ilustra o
quadro abaixo.
|
Matéria mineral |
Subdivisão |
Diametro
em milímetro |
|
Areia |
Areia fina |
0,2 à 0,02 mm |
|
Areia grossa |
2 à 0,2 mm |
|
|
Limo |
-------------------------- |
0,02 a 0,002 mm |
|
Argila |
--------------------------- |
0,002 m m |
Conforme a proporção
em que se encontram os diversos materiais no solo, podemos classificá-los
do seguinte modo: solo arenoso (85 a 90 % de areia),
argiloso (+ 30% de argila) e franco (+ de 50% de limo).
Outras fracções presentes no
solo: cascalhos: 2m m a < 2cm, calhaus: 2 a 20 cm,
e matacões: > 20 cm.
Estrutura do solo: é a maneira como as partículas do solo se agrupam formando agregados
de formas e dimensões variáveis. Ela pode ser: laminar, prismática e granular.
A
estrutura do solo é responsável por uma série de propriedades e comportamentos
do solo, como: infiltração da água no solo, espaços de huecos e erosabilidade.
6.4. Formação do solo
O
processo de formação do solo depende dos seguintes factores:
Ø Material de origem ou rocha
mãe: conforme a sua natureza (composição química e
estrutura), sofre a alteração (fragmentação e transformação dos componentes
iniciais em minerais simples), em resultado a acção da temperatura, da
precipitação e dos seres vivos.
Ø Clima: através da temperatura e da precipitação atmosférica determina-se a
velocidade e o modo da decomposição das rochas e a intensidade do processo de
remoção de partículas sólidas e produtos solúveis (lixiviação) do intemperismo,
bem como a ocorrência do tipo de vegetação adaptada.
Ø Os organismos vivos (as plantas e os animais): exercem acções físicas e químicas sobre as
rochas, a mobilização de sólidos (minerais e orgânicos) por animais e a incorporação
de matéria orgânica pelos vegetais.
Ø Relevo: regula a velocidade do escoamento superficial das águas pluviais, controla
a intensidade de insolação das encostas e o fluxo lateral de partículas sólidas
pela erosão.
Ø Tempo: é a duração necessária para que os factores acima possam interagir de
modo a formar o solo.
A
combinação dos processos precedentes conduz progressivamente à mistura da
matéria mineral e da matéria orgânica e consequentemente o surgimento solo.
Calcula-se
que cada centímetro do solo se forma num intervalo de tempo de 100 a 400 anos e
os solos usados na agricultura demoram entre 3000 a 12 000 anos para se
tornarem produtivos.
6.5. Evolução de um solo
Os
constituintes minerais e orgânicos, devido a circulação da água no solo
misturam-se e migram em secções verticais a partir da superfície até onde chega
a acção do intemperismo – perfil do
solo, originando uma série de camadas homogéneas mais ou menos paralelas à
superfície do terreno, denominadas horizontes
do solo.
Num
solo evoluído, distinguem-se os seguintes horizontes:

Horizonte O: horizonte superficial de material orgânico, situado em solos sob mata,
sendo pouco duradouro após desmatamento.
Horizonte A: é o horizonte em sequência a horizonte O de concentração de matéria
orgânica e intimamente associada aos constituintes minerais.
Horizonte C: é a camada mineral de material inconsolidado sob o sólum,
relativamente pouco afectado por processos pedogenéticos.
Horizonte B: é o horizonte resultante do ganho de constituintes minerais ou
orgânicos migrados de horizontes suprajacentes (horizonte O, A e E).
Horizonte R: é a camada mineral de material consolidado, tão duro constituindo um
substrato rochoso contínuo.
6.6. Classificação dos solos
Apesar
da grande complexidade na classificação dos solos, Dokuchaev e Glink, considerando
a influência do clima na pedogénese, classificam os solos em três grandes
grupos. (Vide o quadro abaixo).
|
Classe de solos |
Tipos de solos |
Descrição |
|
Solos
zonais |
Solos
padzólicos, latossolos, solos
chernozem, ferralíticos e
de tundra. |
São
bem desenvolvidos, maduros, profundos, de horizonte
claramente diferenciados e com boas condições
de drenagem. |
|
Solos
intrazonais |
Solos
hidromórficos, salinos ou
halomórficos e grumussolos |
Formam-se
em regiões com más condições de drenagem, com
presença de grandes quantidades de sais ou com existência
de calcário como rocha mãe. |
|
Solos
zonais |
Litossolos,
regossolos e solos aluviais. |
Não
apresentam um perfil maduro, caracterizado pela diferenciação
dos horizontes. |
6.7. Distribuição geográfica
dos solos
A
distribuição espacial dos solos é bastante irregular, devido a influência do
clima, contudo eis abaixo a distribuição geográfica de alguns tipos de solos:
Solos ferralíticos: predominam nas regiões de clima quente (tropical e equatorial),
sobretudo na África Oriental e Ocidental, no Brasil e no Sul da Índia.
Solos castanho-avermelhados
florestais: predominam nas regiões de clima
subtropical, abrangido a bacia do Mediterrâneo, Inglaterra, França, Austrália,
Nova Zelândia, Chile, Califórnia e extremo Sul da África Austral.
Solos castanho-pardos
florestais: localizam-se nas regiões do clima
temperado húmido e a floresta caducifolia, sobretudo no Sul dos EUA, China,
Uruguai, Brasil, Costa oriental da África do Sul e outras.
Solos podzólicos: localizam-se nas regiões de clima temperado, concretamente na Europa
Ocidental (desde o Norte de Espanha ate Sul da Escandinávia), nos EUA, Canadá,
Chile, México, Japão e no Norte da Ásia.
Solos Chernozem: predominam nas regiões de clima desértico e semi-desértico, com
vegetação própria de estepe e de pradaria, como: na estepe
Russa, nas pradarias dos EUA e do Canadá e na pampa Argentina.
6.8. Importância do solo
6.8.1. Importância ecológica
Ø Regula a distribuição, o armazenamento, o escoamento e a infiltração da
água da chuva e de irrigação;
Ø Constitui o habitat da fauna do solo;
Ø Armazenamento e reciclagem de nutrientes para as plantas.
6.8.2. Importância
socio-económica
Ø Permite a implantação de infraestruturas socio-económicas, como:
estradas, linha-férreas, hospitais, escolas, campo de futebol e fábricas;
Ø Permite a prática de actividades socio-económicas, como: agricultura e
pecuária e consequentemente a produção de alimentos para a população e
matéria-prima para as indústrias;
Ø Fornece matéria-prima (argila, areia e cascalho), para cerâmica,
produção de vidro e blocos e construção civil;
6.9. Medidas de melhoramento,
defesa e conservação dos solos
Ø Evitar a prática de queimadas descontroladas;
Ø Monitoramento das formas de utilização do solo;
Ø Criação de projectos que visam a reposição da cobertura vegetal;
Ø Aplicação regreda de fertilizantes e prática adequada de rotação de
culturas e pousio;
Ø Planificação territorial de uso e aproveitamento dos solos.
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